Ana abre a janela. Como foi habitual durante aquela semana, estava um dia de inverno. Parecia que tinha chegado mais cedo aquele ano, ou talvez fosse mesmo dela. Talvez o inverno tivesse chegado mais cedo. Desde nova, sempre adorou pôr-se à janela. Ficava a contemplar o mar, as suas tonalidades conforme as estações do ano, a sua luminosidade, mas naquele preciso dia, apesar de se encontrar a olhar para este, ela não o via. A sua mente encontrava-se oca. Tão vazia que ela nem ouviu o ranger da porta do quarto.
- Ana, dormiste?
Esta olha em direcção à porta, onde se encontra a sua mãe, de porte moreno, alto, uma mulher bonita, apesar de se encontrar numa idade mais avançada. O seu cabelo era negro como a noite, com alguns fios brancos a contrastar, os seus olhos verdes olhavam para a filha com uma doçura extrema, a doçura maternal.
- Sim, um pouco...
- Queres que te traga algo?
- Não, só que me deixes estar... - Pede-lhe Ana.
A mãe assenta com a cabeça, olha para a filha e fecha a porta com a mesma suavidade que abriu.
Ana encontrava-se novamente sozinha. SOZINHA! Volta a olhar pela janela, mas desta vez em direcção ao céu, como se este lhe dissesse tudo, como se este fosse o seu melhor amigo. Enquanto isso, esta agarra o parapeito da janela com força. Cai-lhe uma lágrima sobre a mão. Baixa o olhar para aquela lágrima solitária.
- Estás como eu... - Pensa Ana.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
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